Registrar memórias familiares em livros virou um negócio para esse escritor

Biografias de cidadãos comuns virou especialidade da Jerimum Biográfico, empresa criada pelo escritor André Viana

 

Quem não tem um pai, um avô ou uma tia animada que adora contar “causos” durante os almoços de família? Foi para resgatar histórias da vida privada que o jornalista e escritor carioca André Viana, 43 anos, criou a editora Jerimum Biográfico, focada em biografias de família. Os volumes lançados pela JB não vão parar nas prateleiras das livrarias — em vez disso, são feitos sob encomenda e compartilhados apenas entre parentes próximos.

Este artigo foi publicado originalmente do site Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

A ideia surgiu em 2011, quando Viana, autor do livro O Doente (Cosac Naify), foi convidado a escrever a biografia de um empresário gaúcho, à época com 90 anos.

“A família me pediu para reunir as histórias que o patriarca contava nos almoços de domingo, para passar aos netos e bisnetos”, diz. Foram meses de entrevistas, que resultaram no primeiro livro nesse formato. “Percebi que tinha adorado fazer o trabalho. A partir dali, não parei mais.”

O tempo dedicado a cada livro varia de acordo com a complexidade da história e o volume de entrevistas. “Um projeto pode levar de quatro meses a dois anos”, diz o autor. A encomenda mais complexa que já recebeu foi uma série de cinco volumes retratando diferentes gerações de uma família italiana — foram mais de 50 entrevistados.

O valor também oscila — pode custar de R$ 10 mil (para editar um material já escrito por alguém da família) a R$ 100 mil ou mais. O trabalho, em geral, consiste em pesquisa, inclusive a iconográfica (fotos, documentos, cartas), entrevistas, texto, projeto gráfico e acompanhamento da impressão. O orçamento gráfico é cobrado à parte.

No momento, Viana tem quatro livros em andamento. A divulgação não é simples, uma vez que a maioria dos contratantes pede discrição — muitos clientes vêm do boca a boca, ou do site do escritor. “Não tenho grandes ambições. Quero apenas produzir mais livros, em um espaço físico maior, e trabalhar com gente legal. E, com o tempo, quero tornar os projetos multimídia”, afirma.

Este artigo foi publicado originalmente do site Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

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