O mundo é V.U.C.A: cresça em um ambiente volátil, incerto, complexo e ambíguo

Volátil, incerto, complexo e ambíguo (V.U.C.A). Esse é o cenário que define o mundo atual, cada vez mais impactado por transformações aceleradas e imprevisíveis, sobretudo no mercado de trabalho. Como desenvolver, então, sua carreira em meio a esse contexto? A estratégia está no constante processo de autoconhecimento, como afirma o sócio-fundador da consultoria Caminhos Vida Integral, Luciano Alves Meira: “No mundo V.U.C.A, pessoas superficiais, imitadores, manipuladores, não se sustentam por muito tempo”. É preciso desenvolver suas potencialidades de forma plena, como ele mesmo acrescenta: “Precisamos começar com as nossas forças, e a partir delas fazer o polimento de certas habilidades sócio-emocionais”.

E para sobreviver nesta época é necessário se adaptar a esse ciclo intenso e contínuo de mudanças. Meira conversou com o CORREIO sobre como tirar o melhor proveito do cenário e desenvolver  sua carreira profissional. Leia mais abaixo:

Que habilidades e competências são necessárias ter, atualmente, para sobreviver  a esse mercado de trabalho ‘volátil, incerto, complexo e ambíguo’?

Como a inteligência artificial será cada vez melhor que as pessoas nas competências técnicas, os diferenciais de mercado serão cada vez mais os aspectos humanos, que hoje recebem vários nomes: competências sócio-emocionais, soft skills. Tudo começa pelo autoconhecimento:

Você conhece suas principais forças de caráter? Suas inteligências? Seu tipo psicológico? Seu nível de maturidade atual? As pessoas precisam olhar para um espelho e reconhecer o melhor daquilo que já está nelas.

Em linhas gerais, o que é o mundo V.U.C.A e como ele tem impactado a vida do profissional no mercado de trabalho hoje? 

A sigla V.U.C.A foi criada pelos estrategistas do exército norte-americano na virada do milênio para descrever o mundo contemporâneo. Tem muito a ver com o que o sociólogo Zygmunt Bauman chamava de Mundo Líquido, que é um cenário em transformação muito acelerada e imprevisível.

O mercado de trabalho é afetado de muitas formas: é claro que existem muitas oportunidades para os empreendedores ágeis e criativos, especialmente para aqueles que navegam bem pelo mundo das novas tecnologias.

Mas vamos ser sensatos e considerar que esse não é o perfil da maioria dos profissionais, mas apenas de uma parcela da população. Então, existem indicadores de muito estresse e muita insegurança diante desses novos cenários que vão se desenhando todos os dias no horizonte de um mundo V.U.C.A.

Qual o perfil do profissional V.U.C.A? 

Com certeza, é um profissional que não pensa somente em seus próprios benefícios. Saber trabalhar em equipe, saber cooperar, entender que estamos todos no mesmo barco e que não podemos mais pensar em resultados sem pensar ao mesmo tempo nas consequências desses resultados. A ética, inclusive, é um pressuposto básico das relações em um mundo acelerado.

Que cuidado também é  preciso ter diante destes novos tempos? 

O principal cuidado é ter um filtro para o excesso de informações. É preciso estar sempre cuidando da saúde física, mental, emocional e espiritual. Estar sempre estudando e se atualizando nas áreas de sua preferência e paixão.

Como equilibrar a produtividade da vida profissional e a vida pessoal diante desse contexto? 

Uma das características mais diferentes hoje, se compararmos com o mundo de algumas décadas passadas, é a rapidez com que as informações e as opiniões nos chegam a todo instante. O profissional precisa saber lidar com essa pressão informativa,  ter um filtro interno para não entrar em modo de ansiedade. Todos nós precisamos ser seletivos e aprender a manter certas posições.

O grande segredo do equilíbrio é você ser uma pessoa só. Antigamente, os especialistas ensinavam as pessoas a dividirem a vida em vários papéis e a criarem objetivos para cada papel.

Essa prática dá aquela sensação de você ser um equilibrista no Circo Chinês, com vários pratos rodando sobre palitos gigantes e, em algum momento, alguns pratos vão cair e quebrar. O verdadeiro equilíbrio nasce de um mergulho mais radical e corajoso de autoconhecimento. Se você conseguir encontrar essa identidade-missão, esse Eu-maior em você, então, seus relacionamentos profissionais  e familiares serão formidáveis se eles forem construídos sobre a clareza dessa identidade.

Todos nós temos potenciais para viver vidas maiúsculas, que impactem positivamente as pessoas em nossa volta, e é isso que gera equilíbrio.

É possível se reinventar? De que forma?

Estamos diante de algumas encruzilhadas para o futuro, e a principal delas diz respeito a se vamos nos robotizar friamente ou vamos nos humanizar e nos espiritualizar graças à evolução tecnológica que nos deixará mais livres em relação ao trabalho pesado. Eu já me reinventei algumas vezes, mas cada vez que fiz isso fiquei mais perto de quem realmente eu sou. Então, a verdadeira reinvenção é a busca eterna pelo autoconhecimento.

Com o tempo, conseguimos exprimir a nossa autenticidade, pois ninguém é igual a ninguém, e isso é muito bom.

Texto original publicado pelo Correio.

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