Gestão da mudança: como vencer os desafios e aplicar com sucesso

Ter uma visão sistêmica, Criar metas e ter senso de urgência são apenas algumas dos 8 passos essenciais na gestão da mudança.   

“Nada é permanente, exceto a mudança”. A frase do filósofo grego Heráclito de Éfeso tem mais de 2.500 anos, mas nunca foi tão atual. O mundo passa por constantes transformações culturais, econômicas e tecnológicas. Empresas precisam adaptar métodos, práticas e estratégias hoje, pensando no amanhã. Nesse contexto, a gestão da mudança tem se tornado uma tendência no mundo dos negócios, incluindo-se aqui as empresas de médio porte.

Continue lendo aqui este artigo escrito no site da Fundação Dom Cabral.

Quer descobrir quais são os principais desafios da gestão da mudança? Então acompanhe as dicas valiosas de Reinaldo Lucas, professor associado da Fundação Dom Cabral (FDC), e coautor do livro “A Disciplina e a Arte da Gestão das Mudanças nas Organizações — Como Integrar Estratégias e Pessoas”.

O que é a gestão da mudança

Atualmente, empresas podem passar por mudanças tecnológicas, de valores e até mesmo relacionadas à obsolescência de produtos ou serviços. Independentemente da forma e origem, ela será sempre baseada em fatores externos que forçam a transformação do negócio.

Em um contexto de inovações cotidianas, empresas que não aplicam a gestão da mudança estão fadadas ao fracasso. Para ficar a par das novas tecnologias e mudanças no mercado, é necessário um ritmo constante de evolução.

Para o professor da FDC, o principal componente para um processo de mudança é ter claro e explicitar o risco de não mudar, além de estabelecer o senso de urgência para a transformação. Diversos negócios estão sujeitos a ameaças de morrerem. “Veja o mercado de jogos eletrônicos. Até pouco tempo, comprávamos jogos em caixinhas. Com a velocidade da internet aumentando, o download tomou o lugar da mídia física. Distribuidoras que não se reinventarem, não terão negócios”, explica. “O mesmo aconteceu com a Blockbuster e o aluguel de filmes. Quando a Netflix chega, ela acaba. Assim como a UBER precisará se reinventar, ou perderá espaço para o Cabify”, diz.

Como avaliar o melhor momento para evoluir sua empresa

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”. A frase atribuída a Charles Darwin se aplica bem à necessidade de transformação em empresas.

A compreensão do ciclo de vida dos organismos — formação, tumulto, normalidade, desempenho e acomodação — revela a necessidade de perceber que tudo que acomoda e não se transforma morre. Empresas sempre viverão momentos de evolução (normalidade, desempenho e acomodação) e momentos de revolução (formação e tumulto). “É na fase de acomodação que se exige uma mudança, uma revolução”, elucida o professor Reinaldo Lucas.

Por exemplo, estudo da FDC aponta que metade das startups brasileiras não duram mais de 4 anos. “Esse é o período crítico, quando elas alcançam a etapa de acomodação e precisam se transformar”, explica Lucas.

Segundo ele, mudanças em empresas são motivadas pelo sonho ou pelo risco. “O sonho é proativo, precisa de um líder que mobilize a organização. Já o risco é reativo, depende de um senso de urgência, da percepção clara do risco. São empresas que precisam adotar estratégias para não morrer”, diz.

A mudança reativa ainda é o principal motor transformador nas empresas. Portanto, é importante verificar a necessidade de mudar, mesmo em um momento de crescimento. Empreendimentos bem-sucedidos sem essa sensibilidade correm o risco de serem extintos. É por isto que no ideograma chinês, crise é sinal de oportunidade. É na crise que se muda.

Segundo Reinaldo Lucas, conduzir mudança exige do board da organização “três Cs”:

  • competência para definir o que mudar e como mudar;
  • conveniência para decidir o melhor momento de mudar, perceber se há um senso de urgência estabelecido;
  • coragem para perceber a necessidade de mudar, apesar dos riscos estabelecidos e acreditar que a solução definida trará as transformações necessárias e os resultados esperados.

Os 8 passos essenciais para a mudança

O professor de Harvard, John Kotter, define oito etapas essenciais para que o processo de evolução seja eficaz. “Entretanto, é preciso aceitar esses passos como complementares, não necessariamente sequenciais”, alerta o especialista da FDC. Confira quais são:

1. Tenha senso de urgência

No mundo atual, é preciso senso de urgência para se adequar às transformações. Para Lucas, isso inclui construir o chamado “risco da não mudança” e fazer com que a organização como um todo tenha esta mesma percepção. “Sem perceber o risco e a necessidade de mudar, nada acontece”, diz.

2. Forme alianças poderosas

Construa coalizões, do chão de fábrica à diretoria da empresa. A mudança só será bem-sucedida se, de forma sistêmica, todos entenderem “o que será mudado” e “o como será mudado”. Para isso, envolver as pessoas certas no momento certo e com a abordagem correta é essencial.

3. Crie uma visão

Transmita os resultados desejados para que a equipe alcance as metas como um todo. “A construção da visão é o que diferencia líderes de gerentes. É preciso inspirar, fazer as pessoas acreditarem naquilo que estão ajudando a construir”, afirma o professor da FDC.

4. Invista em comunicação

A comunicação deve ser monitorada de perto pela equipe responsável por liderar a mudança, com transparência e feedbacks bilaterais. Abra espaço para questionamentos. Elabore um programa de treinamento e aprendizado sobre o que será mudado.

“Transparência é a palavra-chave”, explica Reinaldo Lucas. “Isso não significa dizer tudo, e sim dizer o que pode ser dito, no momento certo e sem traição”. Deixe claras as etapas, o que precisa ser feito e o que deve ser alcançado.

5. Empodere sua base

Dê poder ao indivíduo, para que ele possa efetuar a mudança dentro do ambiente corporativo. Entretanto, é importante que esse poder esteja dimensionado ao contexto do dia a dia desse indivíduo.

“Menos de 40% das empresas que fazem planejamento estratégico conseguem viabilizar projetos de mudança, pois eles concorrem com as atividades do dia a dia”, explica Lucas. Por isso, saiba definir uma estrutura de mudança: quem são os facilitadores e em que grupos de trabalho estarão envolvidos.

6. Crie metas de curto prazo

Defina e comemore eventos e vitórias de curto prazo. Afinal, a sensação de quem conduz a mudança é de que ela nunca será concluída. “Se não definimos e celebramos marcos, temos a sensação de que as coisas não estão acontecendo, de que é muito demorado”, revela o professor da FDC. Estabeleça milestones a serem vencidas, para que a equipe não perca o senso de urgência e consiga visualizar aonde quer chegar.

7. Mantenha o ritmo

Não perca o foco nos objetivos que deseja alcançar com a mudança no médio e longo prazo. Aplique questionários, pesquisas e focus groups para identificar a prontidão para a mudança. Descubra o quanto a mudança está sendo percebida e quais são os resultados alcançados e esperados.

8. Implemente a mudança ao DNA do seu negócio

Alie o discurso à prática, adotando a cultura como palavra-chave para efetivar a mudança. Essa compatibilidade precisa ser cobrada de forma sistêmica dentro da empresa. “Mudança cultural significa implantar um valor, expresso por um novo comportamento. Este alinhamento dos comportamentos esperados no processo de mudança tem que ser esclarecido em todos os níveis da organização, ser acompanhado, ter processos de feedbacks, reforço e reconhecimento. Enfim, ter uma gestão de consequência. Quem pratica está dentro e quem não pratica está fora”, conclui Reinaldo Lucas. Já se foi o tempo do “manda quem pode, obedece quem tem juízo” ou do “faça o que eu digo, não o que eu faço”.

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