A Dança entre a Mudança e a Resistência

A dança entre a mudança e a resistência

Se eu soubesse que naquela aula de física da 6ª série eu aprenderia a lição que mudaria a forma como eu vejo a vida hoje, eu juro que eu teria prestado mais atenção, mas na cabeça de uma criança de 12 anos de idade a frase “Para cada força existente, existe outra igualmente opositora” não significava muita coisa.

Talvez nenhum de meus colegas tivesse noção do significado daquela frase escrita no quadro negro. Até mesmo o meu professor não deve ter percebido que a grandeza da aplicação daquele conceito vai muito além das leis da física.

Muito anos se passaram e eu direcionei a minha carreira o mais longe possível de qualquer profissão que utilizasse alfas, betas e deltas. Porém, num momento muito específico da minha vida, aquela frase veio como um clarão, um presente através de um insight, aquele momento do gozo epifânico onde você se sente muito espertinho.

Eu havia recentemente deixado meu emprego numa corporação para saltar com o paraquedas do empreendedorismo e, por mais que essa decisão tivesse sido muito trabalhada e tomada de forma totalmente consciente, sempre existe aquele momento em que você precisa se situar no novo mundo.

E foi naquela semana, exatamente uma semana depois que pedi demissão, que eu fui acometida por uma preguiça sem fim. Um sono descomunal, falta de disposição para fazer exercícios físicos, vontade de ficar afundada no sofá vendo série e tomando sorvete.

Foi quando a figura do meu professor Flávio, um japonês baixinho e simpático, se revelou na minha frente como um anjo oriental com uma voz de Barry White: “Para cada força existente, existe outra igualmente opositora”.

Caros leitores, explico a minha epifania:

Dentro de mim havia uma força pulsante para mudança. Eu desejei a mudança, esperei a mudança e fiz a mudança acontecer em minha vida. Mas igualmente grande ao meu desejo de mudar era a resistência que eu estava sofrendo.

A resistência é uma função biológica dos seres humanos, que aparece sempre que o status quo é ameaçado. Isso fica evidente, inclusive, em nossa estrutura somática: nosso sistema imunológico responde prontamente sempre que um novo vírus ou até mesmo um novo órgão é introduzido dentro de nossos corpos. O nosso organismo não tem a capacidade de diferenciar se aquela mudança é boa ou ruim. É simplesmente uma mudança e independente de ser boa ou não, o nosso sistema responde do mesmo jeito: expulse o desconhecido, faça ele ir embora, deixe tudo do jeito que está, pois assim está funcionando!

E com o nosso mecanismo cerebral acontece exatamente a mesma coisa.

Mudanças ameaçam. Ameaçam o que é seguro e “seguro” é o que nos conhecemos, e não necessariamente o que é melhor para nós. Em um nível mais profundo, a mudança ameaça a vida da forma que ela é hoje. Ameaça o que é presente, o que é compreendido. Mesmo que não gostemos da forma como estamos levando a vida no momento, pelo menos nós sabemos, nosso cérebro entende como familiar e confiável.

Mudança significa que algo vai ser diferente ou ainda que algo possivelmente vai morrer, vai ser deixado para trás. Nossos hábitos atuais, nossos padrões, nossa previsibilidade. É inevitável. Algo será abandonado, vai ser finalizado para que algo novo possa emergir. Algo vai morrer. Não é natural então que esperemos que haja resistência?

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A resistência nos mostra claramente que nós estamos tentando algo novo. Possivelmente é o mais maravilhoso indicador de que verdadeiramente estamos tentando fazer uma mudança em nossas vidas. Quando não tentamos fazer diferente, não precisamos resistir a nada.

Tentar a todo custo negar a resistência, afastá-la de sua vida, além de não ser natural e saudável, vai drenar toda a sua energia (pois você precisa lutar contra ela) e te impede que você possa lidar com ela com sabedoria e consciência.

Ao invés disso, traga a sua resistência cada vez mais para perto de você. A única forma de lidar com a sua resistência é conhecendo-a, prestando atenção em si e percebendo de que maneira ela se apresenta para você. Fique familiar com as histórias que você conta a si mesmo e as forças que elas exercem. No meu caso era a preguiça.

Comecei a questionar a preguiça, abracei e acolhi, e fui percebendo o que eu deixava de fazer quando estava acometida por ela e aos poucos fui me livrando dela, pois toda vez que pensava em ligar o Netflix, eu sabia que aquilo era sinal de resistência àquela mudança maravilhosa que eu propus em minha vida.

Para começar a trazer suas resistências para perto, você pode diariamente responder às seguintes perguntas:

  • Em que momento do dia eu senti uma resistência?
  • De forma essa resistência se apresentou em meu corpo? Em meus pensamentos?
  • Quais foram os meus julgamentos associados a essa resistência? Quais foram os sentimentos?
  • A qual mudança eu estou resistindo (pode ser uma nova ideia, a mudar meus compromissos, a uma nova prática, um novo jeito de ver as coisas)?
  • O que eu estou tentando manter intacto?

Fonte: Mopora

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