30 novas profissões que vão surgir com a Indústria 4.0

30 novas profissões que vão surgir com a Indústria 4.0

Analista de Internet das Coisas, engenheiro de cibersegurança, mecânico de veículos híbridos são algumas das novas profissões que devem ser criadas em um prazo de cinco a dez anos, segundo projeção do SENAI.

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O mercado de trabalho vai se transformar diante da 4ª Revolução Industrial. Novas profissões como engenheiro de cibersegurança, técnico em informação e automação, mecânico de veículos híbridos e projetista para tecnologias 3D devem surgir e se consolidar no mercado nos próximos cinco a dez anos, de acordo com trabalho realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

A previsão é que surjam 30 novas ocupações em oito áreas que devem sofrer o maior impacto da chamada Indústria 4.0, termo utilizado para a integração do mundo físico e virtual por meio de tecnologias digitais, como Internet das Coisas, big data e inteligência artificial.

O levantamento aponta as profissões, de nível médio e superior, que devem ganhar relevância e se transformar nos segmentos automotivo; alimentos e bebidas; máquinas e ferramentas; petróleo e gás; têxtil e vestuário; química e petroquímica; tecnologias da informação e comunicação, e construção civil. Essas áreas estão entre as que mais devem ter seus processos transformados e que apostam na dominância das tecnologias digitais para a competitividade dos seus negócios na próxima década.

AUTOMOTIVO

1. Mecânico de veículos híbridos

2. Mecânico especialista em telemetria

3. Programador de unidades de controles eletrônicos

4. Técnico em informática veicular

TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

5. Analista de IoT (Internet das coisas)

6. Engenheiro de cibersegurança

7. Analista de segurança e defesa digital

8. Especialista em big data

9. Engenheiro de softwares

ALIMENTOS E BEBIDAS

10. Técnico em impressão de alimentos

11. Especialista em aplicações de TIC para rastreabilidade de alimentos

12. Especialista em aplicações de embalagens para alimentos

MÁQUINAS E FERRAMENTAS

13. Projetista para tecnologias 3D

14. Operador de High Speed Machine

15. Programador de ferramentas CAD/CAM/CAE/CAI

16. Técnico de manutenção em automação

CONSTRUÇÃO CIVIL

17. Integrador de sistema de automação predial

18. Técnico de construção seca

19. Técnico em automação predial

20. Gestor de logística de canteiro de obras

21. Instalador de sistema de automação predial

QUÍMICA E PETROQUÍMICA

22. Técnico em análises químicas com especialização em análises instrumentais automatizadas

23. Técnico especialista no desenvolvimento de produtos polimétricos

24. Técnico especialista em reciclagem de produtos polimétricos

TÊXTIL E VESTUÁRIO

25. Técnico de projetos de produtos de moda

26. Engenheiro em fibras têxteis

27. Designer de tecidos avançados

PETRÓLEO E GÁS

28. Especialista em técnicas de perfuração

29. Especialista em sismologia e geofísica de poços

30. Especialista para recuperação avançada de petróleo

O trabalho foi feito a partir do Modelo SENAI de Prospecção, metodologia que permite prever quais serão as tecnologias utilizadas no ambiente de trabalho em um horizonte de cinco a dez anos. A previsão é feita a partir do debate entre cerca de 20 especialistas – representantes de empresas, de sindicatos de trabalhadores, de universidades – por setor estudado. Em seguida, as informações do Modelo SENAI de Prospecção são enviadas para os Comitês Técnicos Setoriais, que apontam quais serão os perfis e as competências exigidas dos profissionais de cada segmento industrial.

O método, utilizado para embasar as decisões do SENAI sobre a oferta de cursos e seus currículos, já foi implementado em instituições de mais de 20 países na América do Sul e no Caribe. A metodologia foi apontada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como exemplo de experiência bem sucedida na identificação da formação profissional alinhada às necessidades futuras das empresas.

De acordo com o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, o material produzido pela instituição também é uma boa referência para os jovens que buscam uma profissão e os profissionais que desejam se atualizar. “As tecnologias digitais vão criar uma miríade de novos negócios e transformar o mercado de trabalho. As pessoas terão um processo contínuo de aprendizado ao longo de vida. Vão precisar se requalificar permanentemente para adquirir novas competências”, explica ele. “As pessoas que compreenderem melhor as tendências e se qualificarem para esse novo mundo profissional vão ser mais bem sucedidas”, complementa.

ROBÓTICA COLABORATIVA – A área automotiva está entre os segmentos líderes da corrida tecnológica no Brasil. Seus representantes estão entre os que mais preveem impactos da 4ª Revolução Industrial em seu mercado de trabalho. O estudo do SENAI prevê que tecnologias como robótica colaborativa e comunicação entre máquinas por meio da Internet das Coisas vão impactar fortemente as etapas de concepção e produção da área.

Nos próximos cinco anos, devem ganhar relevância profissões já existentes como eletromecânico de automóveis e mecânico de manutenção automotiva, que terão de dominar novos conhecimentos e habilidades, entre as quais programação, aplicativos de software e matemática voltada à metrologia.

A previsão é que as profissões do segmento automotivo se transformem e quatro novas ocupações sejam criadas: mecânico de veículos híbridos, mecânico especialista em telemetria, programador de unidades de controles eletrônicos e técnico em informática veicular. A projeção é que, nos próximos dez anos, 31% a 50% das empresas do segmento demandem esses profissionais.

Ocupações que ganham relevância hoje

Ocupação Atividades Remuneração média atual 
Eletromecânico de automóveis Realizar manutenção e instalação de sistema multimídia e de conectividade; calibrar sensores do sistema de segurança e mecanismo de mudança e embreagem automatizadas. R$ 3.098,53
Mecânico de automóveis leves Inspecionar e reparar veículos híbridos, elétricos e direção elétrica. R$ 5.183,64
Mecânico de manutenção automotiva Inspecionar e reparar sistemas de reaproveitamento de energia, de telemetria aplicada a mobilidade, utilizar tecnologias da informação mais complexas no diagnóstico e reparação de automóveis. R$ 2.996,51
Técnico em manutenção automotiva Programar centrais (chaves, alarme, multimídia de navegação, injeção eletrônica, via scanner e ou computador); leitura, interpretação e comunicação em linguagem internacional. R$ 5.049,20

Ocupações que devem surgir

Ocupação Atividades
Mecânico de veículos híbridos Realizar diagnósticos de motores a combustão interna e/ou elétricos e todas as atividades de manutenções preditiva e preventiva de veículos híbridos.
Mecânico especialista em telemetria Programar computadores e realizar diagnóstico e reparo em redes eletrônicas
Programador de unidades de controles eletrônicos Acessar e reprogramar unidades de controle eletrônico por meio de protocolos de comunicação via scanner ou interfaces; diagnosticar e analisar dados de testes para sistemas automotivos, subsistemas ou componentes.
Técnico em informática veicular Inspecionar ou testar partes para determinar a natureza ou a causa de defeitos ou avarias; instalar equipamentos para testes, motores ou acessório; customizar funcionalidades do veículo, corrigir problemas.

 

TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO – Outro segmento avaliado que está entre os mais otimistas com a inserção do Brasil na 4ª Revolução Industrial é o de tecnologias da informação e comunicação (TIC). Afinal, a Indústria 4.0 dependerá fortemente do desenvolvimento de softwares e hardwares customizados às necessidades de cada empresa. Profissionais com essa formação deverão trabalhar em todos os setores econômicos, independentemente da especialidade.

A previsão do estudo do SENAI é que devem ganhar maior relevância no mercado ocupações que já existem hoje, como técnico programador de games digitais, programador multimídia, o técnico em desenvolvimento de sistemas e o técnico em redes de computadores. Novas profissões também devem aparecer nesse mercado: analista de Internet das Coisas (IoT), engenheiro de software e o especialista em Big Data.

No mundo digital, a segurança das informações – especialmente diante do armazenamento de informações estratégicas em nuvem – é uma das maiores preocupações dos empresários. Por isso, devem nascer também profissões diretamente ligadas a essa temática: engenheiro de cibersegurança e analista de segurança e defesa digital.

A projeção é que, nos próximos dez anos, 11% a 30% das empresas do segmento demandem analista de Internet das Coisas (IoT), engenheiro de cibersegurança, analista de segurança e defesa digital e especialista em Big Data. Já para engenheiro de softwares, a expectativa é de que 31% a 50% das empresas busquem por esse profissional na próxima década.

Ocupações que ganham relevância hoje

Ocupação Atividades Remuneração média atual 
Técnico programador de jogos digitais Testar e corrigir erros em programas de jogos de computadores; modificar código de jogos para aprimorar suas funcionalidades; realizar manutenções para corrigir pequenos erros ou habilitá-los para execução em novos hardwares ou sistemas operacionais. R$ 4.294,31
Programador multimídia Projetar e implementar medidas para a segurança de websites; sugerir linguagens de programação, ferramentas de projeto ou aplicativos para desenvolvimento de software. R$ 4.294,31
Técnico em desenvolvimento de sistemas Avaliar interfaces entre hardware e software, desenvolver especificações e requisitos de desempenho ou resolver os problemas; avaliar e recomendar ferramentas de desenvolvimento de software. R$ 4.294,31
Técnico em
redes de computadores
Diagnosticar e solucionar problemas de hardware, software, ou outros de rede e de sistema e substituir componentes defeituosos; planejar, coordenar e implementar medidas de segurança de rede para proteger os dados, software e hardware. R$ 3.120,25

Ocupações que devem surgir

Ocupação Atividades
Analista de Internet das Coisas (IoT) Desenvolver soluções de sistemas embarcados para sensoriamento; integrar hardware e software por meio da internet.
Engenheiro de cibersegurança Realizar testes e outras ferramentas de cibersegurança para manter a empresa segura contra ameaças internas e externas.
Analista de segurança e defesa digital Identificar riscos existentes ou em potencial que impactam a segurança de informações; desenvolver controles ou ações para mitigar riscos de segurança de informações.
Especialista
em Big Data
Analisar grande quantidade de dados produzidos por equipamentos como sensores para analisar o processo produtivo e orientar tomadas de decisão estratégicas.
Engenheiro de softwares Profissionais capazes de automatizar, centralizar e otimizar todos os processos de uma fábrica e de sua matriz recorrendo a softwares feitos sob medida (customizados).

 

A incorporação de tecnologias digitais na concepção e fabricação de novas peças também deve transformar a indústria têxtil e de vestuário. O SENAI Cetiqt, centro de referência na área, já possui, por exemplo, uma planta modelo de confecção 4.0, com máquinas inteligentes e robôs colaborativos, que demonstra como serão as fábricas nesse segmento. Outra tendência é o uso de roupas inteligentes, que emitem informações a partir do tecido ou de equipamentos como led e sensores.

A previsão do estudo do SENAI é que ganhem relevância na área têxtil profissões como o desenhista de moda, que utiliza sistemas informatizados para desenhar peças de vestuário e acessórios; o técnico em vestuário, o técnico têxtil e o técnico em produção de moda. Os especialistas preveem também que o técnico de projetos de produtos de moda será uma das novas ocupações do segmento. Esse profissional será responsável por reestruturar as áreas de criação e produção e utilizar tecnologias para desenvolver novos produtos customizados.

COMPETÊNCIAS – A prospectiva do SENAI aponta ainda quais são as competências e habilidades que serão requeridas de cada um dos profissionais listados. Independentemente do segmento, devem ganhar cada vez mais importância competências socioemocionais, ou softskills, como capacidade de trabalhar em equipe, criatividade e empreendedorismo.

O técnico em química, por exemplo, terá de adquirir conhecimentos básicos em nanotecnologia e em sistemas digitais, assim como ter pensamento crítico, adaptabilidade, flexibilidade e atenção a detalhes. Já o operador de processamento de grãos, na área de alimentos e bebidas, precisará ter noções de automação de controle e processos, de aplicativos de software, ter boa comunicação, gestão de tempo e aprendizagem ativa.

“Essas competências socioemocionais são ainda mais importantes no mercado de trabalho porque existe uma evolução constante da sociedade do conhecimento”, explica Rafael Lucchesi. “As estruturas empresariais hoje são menos verticalizadas, são mais horizontais e flexíveis. Equipes que trabalham de forma colaborativa são essenciais para se obter ganhos de produtividade e eficiência”, complementa.

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