3 pensadores brasileiros que fazem a cabeça dos jovens

Professores universitários de formação e intelectuais com respeitável currículo, Clóvis de Barros Filho, Leandro Karnal e Mário Sérgio Cortella se tornaram os maiores pensadores contemporâneos do Brasil, com uma legião de seguidores nas redes sociais e milhões de livros vendidos

Este artigo foi escrito e publicado originalmente no site da revista ISTO É.

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* Confira vídeos com os três pensadores no final da matéria

Eles têm um desafio complexo: transformar as ideias de Sócrates, Friedrich Nietzsche e William Shakespeare em pílulas de conhecimento para milhões. Essa é a missão que o professor Clóvis de Barros Filho, o historiador Leandro Karnal e o filósofo Mario Sergio Cortella têm cumprido com bom humor e ironia, despertando o interesse de pessoas em todo o País. Em projetos conjuntos, ou separados, eles lançam livros e lotam auditórios com palestras sobre ética, religiosidade, felicidade e morte. Atualmente, são os mais requisitados pensadores para democratizar o conhecimento filosófico, antes restrito a uma parcela da população e agora abordado com graça e ousadia até mesmo nas redes sociais. Cortella publicou mais de 30 livros e vendeu mais de um milhão de exemplares. Karnal é conhecido como “o pensador pop” e se reveza entre as aulas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entrevistas a programas de televisão e conversas com seus mais de 500 mil seguidores na internet. Barros Filho decidiu levar o conteúdo de ética que ministrava na Universidade de São Paulo a diferentes públicos em empresas de todo o País e do exterior. “Queremos abalar um pouco nossas certezas cristalizadas, balançar nossas estruturas para pensar sobre a vida”, diz Cortella. “As pessoas estão desejosas de compreenderem as coisas sem necessariamente serem adestradas em uma só direção.”

“A iniciativa privada e o setor público também descobriram o poder de comunicação do trio”

As palestras, os vídeos e as obras de Clóvis, Karnal e Cortella vêm encontrando cada vez mais eco na sociedade. O público não se restringe somente aos universitários. Hoje, os três são convidados para falar a empresários de diversos setores. Clóvis, por exemplo, passou 11 anos se dividindo entre salas de aulas e conferências. Agora, há mais de seis meses, começou a se dedicar somente às palestras, que chama de inspiracionais. “Talvez esteja faltando a busca pela compreensão da vida como ela é, no trabalho, no cotidiano e na esfera familiar”, diz ele que rejeita a alcunha de pensador e prefere se definir como alguém que faz e incita reflexões sobre o mundo do trabalho. Não raro, Clóvis, Karnal e Cortella veem alguns de seus livros serem chamados de literatura de autoajuda. Isso ocorre porque, entre os temas que abordam, estão assuntos relacionados ao indivíduo, como felicidade, medos, morte, religião, trabalho e liderança. Os três autores concordam que o nicho de autoajuda no Brasil pode ser renovado e é a isso que se propõem. Para os filósofos, as pessoas precisam ser incentivadas a pensar sobre o mundo em que vivem. E é nesse gargalo editorial que o trio ganha força.

“Cada um faz, em média, mais de 300 palestras por ano”

Leandro Karnal, 53 anos, é o mais pop entre os três. Mas está longe de manter uma rotina de celebridade. Ele tem por hábito acordar às 4h30 para ir à academia. Na sequência, já começa a se dedicar às aulas de história na Unicamp. Gaúcho nascido em 1963, na cidade de São Leopoldo, ele se mudou para a capital paulista aos 24 anos e concluiu o curso de doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Apesar de ter se tornado um especialista em religiões, ele transita bem por diferentes áreas do conhecimento e se define apenas como um professor que ganhou mais alunos. “Não quero discípulos, quero ter gente que se inquiete comigo e pessoas pensem, formulem seus próprios conceitos e busquem embasamento para eles.” São pensamentos como este que transformaram a admiração pelo pensador em uma espécie de “Karnalmania” e fazem mais de 500 mil pessoas pararem alguns instantes para lerem seus textos nas redes sociais.

Nascido em Ribeirão Preto, em São Paulo, o professor Clóvis de Barros Filho, 50 anos, vem falando sobre felicidade, confiança, motivação, ética e amor pelo trabalho a milhões de brasileiros. Em apenas alguns meses de dedicação exclusiva às palestras, o professor e jornalista já é ouvido em países da América Latina e da Europa. Em um de seus livros mais vendidos, “A vida que vale a pena ser vivida”, que alcançou a marca de 200 mil exemplares e mais de 300 mil visualizações no YouTube, Barros Filho reúne pensamentos sobre o sentido da existência. “A vida acontece de segunda a sexta, com angústias e alegrias. É preciso ocupar espaços em que nos alegremos”, afirma. Cada palestra de Barros Filho reúne, em média, 500 pessoas, mas quando ocorrem em espaços abertos ao público esse número já chegou a três mil.

Paranaense de Londrina, Mario Sergio Cortella, 62 anos, divide seu tempo de um jeito metódico. Acorda todos os dias às 4h30 para escrever. Professor e educador há mais de 30 anos, ele leva no bolso do paletó a agenda de compromissos do dia e da semana. Além das mais de 300 palestras anuais, gosta de fazer churrasco para a família nas horas livres. Quem conversa com ele por alguns instantes, logo percebe o prazer que sente em ajudar a formar opiniões. “Preciso fazer uma reflexão sobre a filosofia, sem banalizá-la. Isso exige de mim um esforço que muito me agrada.” Com 19 anos, Cortella viveu a experiência de viver em um convento. Na Ordem dos Carmelitas Descalços, desenvolveu a disciplina que o rege até os dias de hoje. Aos 22 anos se tornou professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Hoje, mais distante das salas de aula, revela que os dois temas mais procurados em suas palestras são referentes à ética, no âmbito privado e na política. “As pessoas têm a necessidade de estar sempre de prontidão para uma formação e, especialmente, descobrir como lidar com cenários turbulentos”, diz ele. Um de seus recordes de audiência em público ocorreu neste ano, em Belo Horizonte, em Minas Gerais, quando uma palestra sobre felicidade reuniu cinco mil pessoas em um espaço para 1,5 mil participantes. Com esse talento único, Cortella, Clóvis e Karnal estão reinventando a filosofia e levando uma legião de brasileiros a outro patamar de conhecimento.

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Mario Sergio Cortella à IstoÉ: “Ninguém em sã consciência seria feliz o tempo todo”

 

Leandro Karnal à IstoÉ: “Quando envelhecemos, criamos a sensação de que o passado era idealizado”

Clóvis de Barros Filho à IstoÉ: “A canalhice é uma tentação permanente”

Este artigo foi escrito e publicado originalmente no site da revista ISTO É.

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